Como fazer um Storyboard: Uma boa história e um traço...

Uma boa história e um traço...

Na rabisqueira dos seus olhos mimimi la la la la.

 E ai galera como vão?

Fizeram muitas HQs esse ano? 

- Vish num fiz nada não.
- Relaxa meu amigo fã de Tengen Toppa Gurren Lagann.

Hoje vou falar sobre uma das partes mais importantes da criação de uma HQ (ou mangá mimimi) o STORYBOARD e mais alguns processos de criação.

HQs não são coisas fáceis de serem feitas, se houver uma falta de organização o processo fica mais complexo, portanto precisamos organizar bem nossos métodos de criação.

Um método muito usado é o storyboard essa técnica é um rascunho daquilo que será uma pagina da sua HQ e até mesmo a sua HQ inteira.

No Storyboard você deve se preocupar mais em passar toda a mensagem e informação do que vai acontecer na página ou até mesmo na HQ toda do que se preocupar com a estética do seu traço.

 No exemplo acima eu mostro a página da HQ Beholder, como podem ver tirando o primeiro quadro que já está em andamento os outros estão bem simples, a ideia aqui é que você deve olhar o que quer passar para o leitor, organizar cada ação dos personagens e o espaço entre os quadros e os balões de fala.

Essa página está sendo feita no digital, então da pra desenhar por cima do esboço sem problema, no caso do desenho tradicional você tem que trabalhar com uma folha a parte onde toda a rabisqueira será digerida antes de virar uma página finalizada.

- A Haw, mas isso gera retrabalho, sem falar que eu vou gastar uma folha a mais que nem vai ser publicada.
- Relaxa ai minha amiga fã de Love so Live.

Na época que guaraná ainda vinha com rolha eu também pensava dessa forma e evitava fazer os storyboard, e então aconteciam coisas bem chatas:

  1. As ações dos personagens não estavam bem explicadas e encaixadas com o contexto.
  2. Os desenhos ficavam bem piores, e muitas vezes erros com o traço acabavam em frustração.
  3. Eu não conseguia dar o espaço correto para os balões e muitas vezes acabava desenhando um espaço sem nescessidade.
  4. A pagina anterior não se encaixava com a próxima pagina.
  5. E o pior de tudo, acontecia tanta rabisqueira na folha que ela ficava com um estética terrível.

Entre outros problemas.

Se você percebeu um ou mais desses problemas no seu processo de criação então você deveria abandonar seu atual método de criação e adotar o storyboard.

- Ok eu entendi, realmente acontece muitos problemas quando eu vou fazer uma página, mas enfim como eu faço um storyboard Haw?
- Já vou explicar meu amigo fã de One-punch man.


 Processo de criação de uma HQ.

 Tudo nasce da ideia principal, essa ideia deve contar de uma forma resumida do que se trata sua historia.

Tente resumir toda a saga épica de seus personagens em 20 linhas, se isso for muito dificil tente seguir a quarta dica da Pixxar para criação de roteiros.

"4. Era uma vez um/uma________. Todo dia,__________. Um dia, então__________. Por causa disso, __________. Por causa disso__________. Até que finalmente_______."

Tentar resumir a sua historia é o primeiro passo para organizar todas as suas ideias, por vezes conhecemos muito bem a nossa historia, mas não sabemos contar ela isso é pela falta de organização das ideias.

Depois de conseguir fazer esse resumo o segundo passo é organizar as ações.

Toda a ação tem um começo meio e fim, e não está necessariamente nesta ordem quando se trata de uma historia, as vezes podemos começar a contar uma historia pelo fim, e mostrar para o leitor o que aconteceu até chegar naquele momento. A historia é sua e você pode contar ela de várias maneiras desde que ela não fique confusa para o leitor.

Definindo como você vai contar a historia o que resta fazer é dividir tudo isso em partes, essas partes podem ser capítulos, ações e etc. O importante aqui não é como você vai chamar essas partes, mas como vai dividir elas. Aqui é onde você pode começar a criar as suas páginas já colocando um limite de folhas, quadrinhos e falas para cada ação.

Essa organização ficaria assim.

Resumo.

Era uma vez um cara que queria construir um robô gigante. Todo o dia ele buscava peças em um lixão perto da casa dele. Um dia então ele encontra um corpo de uma mulher no lixão, mas depois ele percebe que esse corpo na verdade é um androide desativado. Por causa disso ele tenta consertar essa androide para ajudar ele a construir o robô gigante. Por conta disso ele acaba se dedicando mais a reconstrução dessa androide do que do robô gigante. Até que finalmente ele consegue reconstruir a androide e por fim ele fica velho demais para continuar a construir o robô gigante e tudo fica por conta da androide.

Separação das ações.

Apresentar o personagem principal e sua rotina.
Apresentar o lixão onde parte da historia acontece.
Apresentar a androide que faz parte do roteiro.
Mostrar o empenho do personagem principal na reconstrução da androide.
Mostrar a androide reconstruída e funcionando.
Chegar ao fim com a androide reconstruída e o personagem principal já idoso ao seu lado.

 Divisão de folhas, numero de folhas e detalhes.

Para cada separação das ações um total de 3 folhas.
Total  6 * 3 = 18 folga de 2 folhas limite de 20 folhas.

- Espera Haw, matemática? Serio que rola matemática nisso?
- Vou explicar para você minha amiga fã de Another.

A equação das HQs.

Um grande problema aparece quando não sabemos responder a questão: Quantas folhas ou paginas minha historia tem? 

Sem saber quantas paginas um capitulo ou a historia toda deve ter nos acabamos nos perdendo nos campos infinitos da imaginação.


Colocar um limite para a imaginação nos força a ser mais criativo buscando soluções mais agradáveis para o leitor ver, historias longas e desorganizadas não atraem leitores pelo contrario fazem eles fugir de você.

Para isso podemos fazer uma equação simples definindo o numero de ações principais vezes o numero de folhas que você vai desenhar, se essas ações são complexas demais e precisam de uma subdivisão você pode trabalhar com plots e meta plots.

Plots são ações principais por exemplo ação 1, 4 e 7. Os meta plot seriam as ações entre as ações importantes1 2 3 4 5 6 7 os metas seriam as ações 2, 3, 5, e 6.

Aplicando isso em um roteiro simples seria assim.

1. Ele acorda atrasado.

2.  Sem tempo ele  se veste rápido  e sai do apartamento.
3.  Ele entra no elevador.

4 . No terceiro andar uma mulher entra no elevador junto com um cachorro.

5. Eles se cumprimentam.
6. Os dois descem do elevador e vão para o saguão do prédio.

7. O cachorro escapa e o homem tenta ajudar a mulher a pegar ele de volta.
 
Aqui de forma resumida podemos ver as 7 ações que ditam uma parte do que vai acontecer nesta historia. Cada ação pode levar algumas páginas, se por exemplo eu definir que cada plot e meta plot vai levar 3 folhas então eu terei 21 folhas para desenhar.

Todos esses números são hipotéticos, quem deve organizar a sua historia é você mesmo, o numero de paginas de ações e etc., são suas. 

Voltando ao exemplo do construtor de robôs gigantes, ao definir 3 paginas por ação e sendo que eu tenho seis ações já podemos perceber que será uma historia bem curta com 18 paginas, eu coloquei duas paginas de folga para caso as ações ficarem muito limitadas.


Então vamos para as rabisqueiras.

A tosqueira do início.



Já temos o roteiro, já organizamos as ações e a quantidade de paginas, agora falta algo muito importante.

Os personagens.

- Ué mas, a gente não começa uma historia criando os personagens.
- Sim isso é verdade, só que ainda não desenhamos os personagens não é mesmo meu amigo fã de Azumanga.

Geralmente quem desenha quer primeiro fazer os personagens e depois as historias deles, normal isso eu também acabo fazendo muito esse tipo de processo.

Isso porque quando estamos desenhando nossa criatividade está a mil por hora e é uma consequência um desenho sem compromisso acabar virando uma personagem. Essa ordem de criar a historia primeiro ou os personagens primeiro não afeta muito a organização do roteiro, por exemplo, na historia da Beholder eu estava fazendo um desenho sem compromisso.

Era esse desenho na ocasião.

Gostei tanto do desenho que acabei criando uma historia para ela, a inspiração surge a qualquer momento e você não deve ficar travando ela.

Enfim vamos aos desenhos dos personagens do construtor de robôs.

Quando você for desenhar os personagens com uma historia já resumida e planejada fica mais fácil ver eles em sua mente, no caso eu imaginei os dois personagens da seguinte forma.

Eu imaginei o construtor com um óculos grande o cabelo desarrumado e usando roupas sociais com botas para, como ele vive procurando lixo para construir o robô eu pensei que ele poderia ser um pouco curvado e viver com uma mochila nas costas e uma caixa de ferramentas.



A androide eu imaginei bem esguia e mais alta do que o mecânico ela, pra facilitar minha vida deixei ela o mais simples possível para o desenho sair mais rápido.

Esses primeiros desenhos dos personagens não devem ser bem elaborados, o bacana nisso é a falta de comprometimento com alguma estética e o foco total na ideia final.

Depois de criar os personagens precisamos criar as paginas para isso é necessário pegar cada ação e transformar ela em um storyboard.

No as primeiras paginas seriam para:

Apresentar o personagem principal e sua rotina.

Tenho que lembra que coloquei 3 paginas para cada ação então o storyboard ficaria assim.



   
Essa rabisqueira toda são as 3 primeiras paginas cumprindo a missão de representar a primeira ação descrita no roteiro:

Apresentar o personagem principal e sua rotina. 

Na primeira pagina aparece o lixão, e algumas coisas voando, no ultimo quadro uma peça é recolhida, na segunda pagina aparece o personagem examinado e guardando a peça, depois temos um bom close do rosto dele, na última pagina temos o fim da rotina dele que é trazer as peças e continuar com o projeto de construção do robô.

Com esse tipo de técnica é possível dispensar o uso de balões, falas e narrações, apenas as imagens contam a historia toda.


E falando em falas narrações e textos enormes que tal deixar essa matéria com uma parte 2?

Então na próxima semana continuamos com o assunto de criação de storyboard o/

Até la galera e esperem pelo fim da historia do construtor de robôs.

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1 comentários :

comentários
6 de agosto de 2017 20:27 delete

Muito boa essa técnica, eu costumo cria os personagens primeiro e depôs pensar em uma história, minha maior dificuldade é sobre as senas que devo colocar em cada quadro... Sua matéria ajudou muito

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Lembre-se eu vou ler seu comentário, apenas pense antes de escrever.

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