Por que o "kawaii" é "kawaii'?

Por que o "kawaii" é "kawaii"?

E outros devaneios.




E ai galera como vão?

Antes de tudo se prepare para ler, essa matéria vai ficar muito extensa.

Estou tentando manter a frequência das postagens novamente, por vezes como antigamente não vou postar uma matéria apenas sobre técnicas e todo aquele mimimi de como desenhar mangá.

De verdade, matérias que tratam de um algum assunto e que não apresentam técnicas são as que tem menos visitas no blog, essas matérias deveriam ter mais importância do que as matérias sobre técnicas. Em tais matérias eu coloco uma opinião sobre a nona arte e elas servem para aumentar o seu nível de entendimento e de opnião sobre o assunto.

Hoje vai ser um dia desses, mas vou ajudá-los, eu irei postando aqui alguns esboços dos desenhos que estou fazendo, é só você acompanhar as imagens que você vai entender algo sobre desenho. A e não é nada super bem feito viu é só umas rabisqueiras sem compromisso.

Vamos começar nosso assunto.

Já faz um tempo que eu fiquei com um sentimento estranho ao ver uma matéria sobre desenhos fofos em uma palestra de animações deste ano de 2015.

Em resumo o palestrante (e posteriormente outros sites) buscou na biologia a explicação para todos acharem um desenho fofo.

- Ahn? Como assim Haw explica isso direito.
- Espera um pouco que em partes existem razões para o cara se basear nessa teoria meu amigo fã de Hibike Euphonium.

Tudo começa com um pouco de devaneio e alguns rabiscos.

A "teoria da salamandra."

Pegue a sua paciência e leia esses dois links, se houver mais interesse neste assunto procure mais informações.

Sobre a salamandra.


Sobre a relação do uso de neotenia nas ilustrações.


"A culpa toda é da salamandra Eurycea subfluvicola".

- QUE!!!????
- Já pedi calma meu amigo fã de One punch man.
 
Pra vocês entenderem, a palestra do cara que super se aprofundou em biologia tentando explicar o porquê de acharmos algo fofo ou não, ele se baseou nas características de uma salamandra que mesmo na fase adulta ainda mantém suas características de "criança" essa característica se chama neotenia. Com toda a certeza não partiu somente dele essa ideia do uso da neotenia nas ilustrações e ele deve ter se baseado em outros estudos sobre ilustrações.

Com essa teoria ele propôs que todos nos achamos algo fofo ou bonitinho pois tal coisa possui traço jovem ou infantil. Infelizmente ele ignorou toda a historia e a parte cultural que o assunto envolve. Talvez por falta de tempo, ou para causar a contradição, tornando a palestra dele totalmente válida e interessante para aqueles que se aprofundaram no assunto.

Afinal como Salvador Dalí disse.

"Você tem que criar a confusão sistematicamente, isso liberta a criatividade. Tudo o que é contraditório cria vida."

Salvador Dalí 

Em resumo, segundo o palestrante quanto mais características infantis tem seu personagem mais fofo ele vai parecer.

neotenia
  1. substantivo feminino
    bio
    pedomorfose produzida pelo retardamento do desenvolvimento somático, de maneira que a maturidade sexual é atingida em um organismo que retém características juvenis.


pedomorfose
  1. substantivo feminino
    (d1922) bio presença de caracteres primitivamente juvenis, larvais ou embrionários em um organismo adulto.
     
- ... serio isso Haw.
- Infelizmente sim meu amigo fã de Hanayamata.

 Mais rabiscos e mais pensamentos.
Um pouco de historia. 
Eu já tinha visto muitas teorias sobre o porquê dos desenhos japoneses serem mais fofos e causarem o efeito "ain que kawaii *-*". As maiorias e equivocadas explicações culminavam na neotenia;

 "Desenhos de personagens com traços jovens ou infantis causa um sentimento de carinho e proteção a qual todos os mamíferos estão ligados por conta da maioria dos filhotes de mamíferos usarem este recurso para prender atenção de seus pais afim de garantir a sua proteção e meio de sobrevivência.
Resumindo, achamos um desenho fofo pois ele desperta sentimentos de proteção e cuidado em nosso instinto, através de traços juvenis".

 Vamos ir um pouco mais a fundo nesse assunto ao invés de apenas se contentar com um pouco de biologia, necessidade primitiva e ciclo de vida das salamandras.

A base do mangá nasceu a muito tempo antes de todas essas teorias então há algo a mais a ser descoberto.

E ao invés de me basear em biologia, vou me basear na historia do Mangá e do Japão.

 O livro " O grande livro dos mangás" de autoria de Alfons Moliné lançado no Brasil pela JBC em 2004 tem um trecho que fala do inicio do mangá ou das historias em quadrinhos no Japão.

" Polêmicas à parte, as raízes dos quadrinhos japoneses podem ter aparecido a partir do século 11, quando uma primitiva manifestação de caricatura gráfica, os chojugiga (imagens humorísticas de animais), uma série de pergaminhos que representavam coelhos, rãs, macacos entre outros animais em cenas satíricas de autoria do sacerdote-artista Toba (1053-1140).

o nome do artista não foi divulgado pelo site.

Neste período ninguém pensava em biologia para explicar uma coisa ou outra vamos ser sinceros, esse período foi onde os primeiros registros de "historias em quadrinhos" começaram a ser produzidas no Japão como no trecho do livro acima. E também há um detalhe importante é a linha do tempo desse desenho para os desenhos modernos no Japão, afinal se nos basearmos na data de nascimento e falecimento do artista Toba estamos falando do ano 1140.

Muito tempo se passou e muitas coisas foram se modificando ao longo dos anos até chegarmos ao ponto sem retorno eu sei que muitos japoneses não gostam de tocar neste assunto, mas o fato que mudou o rumo das historias em quadrinhos no Japão com toda a certeza foi a derrota na segunda grande guerra mundial.

É claro que não posso deixar de dizer que o primeiro mangá de verdade foi feito pelo artista Rakuten Kitazawa isso falando de forma resumida sem contar todos os detalhes de sua historia e etc.
Também sem entrar em muitos detalhes sobre a Kodansha que em 1914 lançou várias vertentes de historias dedicadas a cada publico, se você está realmente interessado em tudo isso leia o livro "O grande livro dos mangás".

Mas mesmo observando o Mangá dessa época ainda não possuía o traço que "caracteriza" ele como hoje em dia. 

Voltando ao assunto da segunda grande guerra e citando outro trecho do livro;
 
 "Com o inicio da segunda guerra mundial, houve uma considerável redução da produção de mangás, causada pela restrição de papel , mas especificamente pela censura; quase todas as publicações foram destinadas à propaganda bélica, frequentemente mostrando os países inimigos no conflito sob um ponto de vista menos que satânico. Os trágicos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki culminaram em uma etapa obscura e iniciaram outra nova e esperançosa era na história do Japão, o período Heisen (1945 até hoje)*, e, com ela, um novo ciclo na historia dos mangás."

*Considerar a data de lançamento do livro me 2002

Vamos no popular.

Houve um período curto onde os artistas podiam publicar suas historias sem serem perturbados pela censura militar, depois houve um outro período onde a censura ditava o que deveria ser feito, e por último a derrota e os ataques nucleares.

Agora se coloque no lugar de um habitante que esteja vivendo todo esse rebuliço.

Não seria nada fácil viver em um momento pós guerra e pós tragédia como foi vivido pelos Japoneses, para as crianças com toda a certeza seria mais difícil ainda,se você fosse uma criança ou jovem vivendo em tal situação a sua última preocupação seria comprar um mangá na banca.

Ai que entra o grande mestre que eu sempre que posso falo o nome dele aqui no blog.

Lapidando e arrumando e ajeitando e andando.

Os olhos grandes.

 Após a guerra o Japão e outros países necessitavam de meios de entretenimento para esquecer os acontecimentos traumáticos. Mas deixando de lado um pouco os livros de historia e tentando entender o pensamento do publico alvo que encontraríamos durante essa época, estamos em um lugar onde as pessoas ainda estavam acostumadas com historias em quadrinhos ditadas pelo exercito, além disso muitas dessas pessoas estão mais preocupadas em conseguir o pão de cada dia do que ler alguma historia.

Uma situação realmente difícil para quem quer vender suas historias em quadrinhos não é mesmo? 

De um lado temos pessoas sem interesse em ler algo por conta da recente intervenção militar, de outro temos pessoas que estão preocupadas em conseguir sobreviver.

Só que nas situações difíceis que as pessoas que fazem a diferença acabam surgindo.

Osamu Tezuka (1928 -1989) com toda a certeza enxergou nessa dificuldade uma grande oportunidade e fez por onde conseguir reerguer o mangá e construir um grande marco nas historias em quadrinhos do mundo. Não é por menos que ele é considerado o pai do mangá e influenciou muitos outros artistas como Mauricio de Souza por exemplo.

A primeira coisa que ele deve ter pensado foi reformular as historias tornando elas atrativas para o público, e em outro ponto investiu em um formato mais barato de impressão e distribuição de seus trabalhos (os akabon no caso que surgiram em Osaka).

Não parou apenas ai, Tezuka-san buscou influências fora do Japão para fazer um traço diferenciado.

A princesa e o Caveleiro. Osamu Tezuka

Tezuka-san se inspirando em em muitos desenhos da Disney e do Estudio Flescher (criadora de gato Felix entre outros) desenhava seus personagens com os olhos grandes e brilhantes. Claro que não somente ele mas outros artistas o fizeram, criando uma estética para seus desenhos.

O motivo banal que vemos na explicação da "teoria da salamandra" citada pelo palestrante e por outros sites seria que: Olhos grandes são características físicas de jovens no caso bebês e por isso são usados para criar uma estética "bonitinha" nos personagens. Ora se isso for verdade tal teoria deveria ser aplicada também aos personagens na qual os artistas japoneses se inspiraram para criar esse novo estilo de traço.

Porém há outra e mais plausível explicação para isso.

Um trecho de outro livro tem uma boa explicação para isso.

"De fato, Luca Raffaelli, em seu livro  Le anime disegnate (p. 113), opina sobre esse motivo. " Através da representação dos olhos grandes (grandes espelhos da alma), os desenhistas japoneses querem comunicar seu desejo de se ver por dentro, de descobrir suas próprias verdades secretas".

Portanto diferente de ser apenas uma característica juventude os olhos grandes tem como objetivo principal transmitir as emoções do personagem.

Nessa parte vemos que por pouco o mangá não deixou de existir e que certas características não foram atribuídas ao traço com a intenção de tornar os personagens mais jovens e sim mais expressivos.

E já que estamos falando de emoções.

Um rabisco aqui uma pintura ali e vamos que vamos.

A linguagem icônica dos quadrinhos japoneses.

Os quadrinhos japoneses sempre tiveram personagens marcantes que usam uma linguagem diferente dos quadrinhos do resto do mundo: O exagero na representação de emoções e de ações.

Inuyasha. Rumiko Takahashi.

Como no exemplo acima quando uma personagem fica puta da vida com outro ao invés de ver apenas um desenho onde apenas um está bravo e outro desconfiado vemos um grande exagero na personagem brava fazendo ela ficar bem maior que o outro mostrando o seu nível de raiva em relação ao outro.

O emprego desse tipo de exagero nas emoções dos personagens tornaram os quadrinhos japoneses, o exagero na expressão não é apenas visto nas proporções dos olhos, mas em qualquer outro ponto do corpo dependendo da informação que o autor quer passar como no exemplo abaixo.

 Clannad. Kyoto Animation.

 O destaque nas lágrimas enormes acompanhado da expressão dos personagens nos passam a mensagem de imediato, não há nada a ser explicado na cena percebemos o momento com essas informações passadas pelo desenho. Esse exagero na cena é a linguagem das historias em quadrinhos japonesas. Mas não satisfeito eu vou dar mais exemplos.

One Punch Man. ONE

Aqui o exagero na cena é o vórtice de ar que foi deslocado com o golpe do personagem demonstrando a sua força. O impacto da cena dispensa palavras para expressar o que o autor gostaria de passar para o leitor.

Nichijou. Arawi Keiichi.

O exagero na expressão de surpresa da personagem é passado pela boca que sai do queixo e os olhos estatelados sem cor e vibrantes, sem falar das hachuras que fazem parecer o personagem tremer diante tal cena.

Não seria nenhuma surpresa usar essa linguagem também no desenvolvimento do traço dos personagens, por exemplo: Personagens que são poderosos geralmente tem músculos que saltam das sobrancelhas, personagens velhos sempre possuem algum tipo de exagero para demonstrar sua idade, não seria diferente com personagens mais jovens.

Posso ficar aqui o dia todo passando mais e mais exemplos pois, as historias em quadrinhos japonesas SÃO feitas destes exageros isso É a linguagem das HQs japonesas.
Mas e a teoria da salamandra onde se encaixa em tudo isso?

 E a rabisqueira continua.

E por que o uso do traço "kawaii"?


Sim há uma pequena verdade na "teoria da salamandra" muitos desenhistas usam características de juventude em seus personagens para deixá-los mais bonitos e "fofos" como crânios arredondados, mãos pequenas, nariz pequeno e etc.  A  Kyoani é a que mais usa essas características em seus personagens.

Mas essa explicação é simplória demais para ser aceita sem haver uma contestação.

Observando o esquema de trabalho frenético que é feito para se criar um mangá percebemos que os artistas tiveram que usar meios para aumentar a velocidade de produção dos desenhos sem que eles se tornassem algo pouco atrativo para o publico. A boca e o nariz simples não são apenas uma característica "neotenia" e sim uma saída estratégica para agilizar o andamento da produção do mangá. Novamente posso citar Osamu Tezuka como exemplo, seus personagens eram simples para que a produção das historias fossem feitas em grande escala.

Não somente isso, mas outros pontos foram sendo simplificados com o mesmo motivo, e em contrapartida outros pontos foram sendo exagerados.

E percebemos claramente que artistas que usam traços mais arrojados e complexos demoram muito mais para lançar um capitulo do que aquele que faz um traço simples. É a lógica entrando em jogo (-.-)"

Portando mais do que apenas um traço infantil, a saída para o traço "kawaii" foi uma jogada para aumentar a produção sem prejudicar a estética do mesmo.

O traço "kawaii" tem o objetivo claro de ser agradável e ao mesmo tempo rentável (lembra do que o Tezuka-san fez para reerguer os mangás, ele buscou outra forma de criar historias e uma outra maneira de distribui-las).

Mas, um traço fofo por si só não vai ser rentável (a não ser que você esteja trabalhando para fazer mascotes de grandes eventos ai é outra historia). O "kawaii" vai além do traço trazendo também uma história atrativa para aqueles que gostam desse tipo de tema.

As historias que contém um tema mais fofo ou "kawaii" geralmente são aventuras, dramas familiares, ou comédias, dificilmente você vai encontrar algo fora destes temas. E há um motivo para isso que iremos ver ao longo deste texto.

Por exemplo.

Jewelpet. Sanrio e Sega Sammy Holdings

Jewelpet (assim como todos os animes e mangás) foi criado para vender seus produtos, a desculpa para isso não se tornar uma propaganda lascada foi criar uma historia de mahou shoujo (garota mágica) com uma personagem que tem a idade do publico alvo dos produtos, é uma jogada de marketing? SIM É, mas é melhor do que aqueles comerciais babacas que vemos todos os dias na TV.

O outro apelo no caso é usar a identidade dos elementos "kawaii" na produção da animação, isso faz parte da Sanrio que cria vários produtos com esse tipo de tema.

A sim os personagens tem características de filhotes o que remete a "teoria da salamandra" só que isso não é um fator isolado... Existem N fatores a serem vistos para dizer o porquê disso.

E afinal o que é esse tal de Kawaii?


Duality. Ricardo Haw.

Kawaii ( 可愛いou mais comumente usado かわいい ) é uma palavra japonesa para definir algo como bonitinho, fofo, adorável e etc.

Houve um período no Japão onde aconteceu o "movimento Kawaii" que foi um movimento artístico que atingiu a moda, o entretenimento, a comida, o comportamento e outras mil vertentes. Esse movimento rejeitou o status quo propondo uma outra maneira de se ver e viver a vida.

Quando acontece um movimento artístico é natural que ele atinja muitas vertentes da sociedade, quem estuda historia da arte tem obrigação de saber do que eu estou falando.

O movimento Kawaii com toda a certeza valoriza as "características infantis" o que novamente caíra dentro da neotenia, o uso de roupas bonitinhas, a atitude inocente e outras coisas que poderiam remeter a atitudes "infantis". Isso pelo ponto de vista de uma pessoa ocidental.

O problema surge quando um ocidental tenta entender o que se passa no Japão e julga isso como algo que pertence ao publico infantil.

No Japão quando uma pessoa se torna adulta ela se vê cheia de responsabilidades presa a um papel social cheio de exigências. O movimento Kawaii surge para suavizar isso, apresentando uma vontade de criar uma sociedade mais amigável, indo contra os fatores que caracterizou o Japão do passado.

A sociedade japonesa tem consciência do cotidiano dos adultos japoneses que por muitas vezes é quase desumano, e consideram a infância um momento da vida absolutamente idealizado. Reviver estes momentos mesmo que por pouco tempo é um escape para a vida complicada dos adultos.

Chegamos a um ponto onde o "Kawaii" deixa de ter uma definição apenas de fofo e infantil, para ter uma segunda definição de "tomar um fôlego e seguir em frente". Neste momento há uma pergunta que deve ser feita:

O que realmente torna algo infantil? 

Já que em um certo momento um adulto adota uma atitude e um produto "infantil" isso ainda deve manter a classificação de infantil?

Isso é um conceito que vai gerar muito assunto pois se trata de um tabu.

Recomendo a leitura do site: chuvadenanquim.com.br otakismo o fenomeno kawaii por que o japao e o imperio da fofura
 

E também podemos abordar uma grande diferença entre a linguagem dos personagens ocidentais e os Japoneses.

Enquanto para os ocidentais animações e historias em quadrinhos para serem atrativas devem quebrar as leis da física e da mortalidade, no Japão as historias são atrativas pois os personagens destroem as leis da sociedade. 

Vamos falar sobre esse assunto um pouco mais com alguns exemplos.


E a rabisqueira continua, vamos ver o que vai virar até o fim dessa matéria.

Os heróis daqui e os heróis de lá.

A sociedade influência sim nas historias contadas pelos artistas, os ideais de vida de cada sociedade moldam as historias contadas em cada HQ, enquanto aqui no ocidente heróis são seres que podem voar, escalar prédios e defender os ideias de patriotismo e de liberdade, destruindo cidades inteiras. No Japão vemos personagens que tentam fugir a todo custo das regras da sociedade.
Capitão América. Marvel.

Nos quadrinhos Americanos vamos ver a estética da defesa de seus ideias de patriotismo e de liberdade pelos personagens extremamente fortes e em sua maioria imortais, essa linguagem passa a ideia da força inabalável de seus ideias pelos seus personagens que por mais problemas que surjam nunca se modificam e continuam seguindo o mesmo modo de vida e pensamento através do tempo.

Como eu disse cada sociedade afeta as historias contadas pelos seus artistas, vocês vão ver que na grande maioria das historias em quadrinhos ocidentais os personagens desafiam apenas as leis da física e da mortalidade e se mantém inabaláveis. Mesmo que haja uma pequena alteração no curso das historias de cada um eles sempre acabam retornando ao ponto inicial e refazem tudo de novo.


Sailor Moon. Naoko Takeuchi

Quando olhamos para o Japão vemos vários tipos de heróis e citar todos eles aqui seria uma missão impossível, por isso resolvi pegar apenas a Tsukino Usagi como exemplo.
 
A personagem principal de Sailor Moon vai contra todas as expectativas de uma heroína americana, ela não é forte, é preguiçosa, irresponsável e entre outras coisas. Lembrando o que eu disse anteriormente os personagens das HQs japonesas estão quebrando as leis da sociedade, no caso a irresponsabilidade, a preguiça e todas as outras características da Usagi fazem dela uma personagem que está indo contra tudo aquilo que uma mulher deve ser para sociedade japonesa.

É essa linguagem que falta ser analisada ao pensarmos no porquê o kawaii é kawaii.

Apesar de todos os defeitos que a Usagi possui ela conquistou os leitores por apresentar o que os leitores gostariam de ser. Como dito no trecho lá no começo deste texto: 
" Através da representação dos olhos grandes (grandes espelhos da alma), os desenhistas japoneses querem comunicar seu desejo de se ver por dentro, de descobrir suas próprias verdades secretas".

No caso essa VERDADE seria a fuga  das regras da sociedade.




Duality. Ricardo Haw.

 Devaneios.

Tentar explicar emoções é algo complexo, quando trabalhamos com esse tema não é correto buscar na razão um explicação para algo que te causa uma emoção, você sente e vive uma emoção e ponto final.

Sempre que alguém tentar buscar na razão a explicação para uma emoção ela vai cair em contradição, no caso dessa matéria muitos tentaram buscar na razão a explicação para a emoção "ain que kawaii *-*".

Por muitas vezes você vai se sentir atraído por uma historia ou outra pois, esta lhe causou um "feeling" e é difícil tentar encontrar palavras ou teorias corretas que vão explicar exatamente o porquê  você se sentiu atraído pela historia.

De um ponto de vista pessoal, acredito que os traços "fofos" não partem apenas das características físicas de um personagem ou de sua atitude "infantil" por muitas vezes vi outros personagens que não possuíam essas características e eram muito mais carismáticos que qualquer personagem com as características juvenis.

 Portanto, levantar teorias e explicações lógicas para algo que se trata de emoções é no mínimo contraditório.

A grande verdade que não é digerida pelos artistas ocidentais é que as HQs japonesas (e muitas outras orientais vindas da Coreia e da China) trataram da emoção de uma forma que nenhum ocidental nunca conseguiu imaginar e por conta disso se tornaram um grande sucesso no mundo todo. As historias e personagens de lá são mais carismáticos e humanos que os personagens criados aqui.

Ao analisar uma historia (no caso HQ) vinda de uma cultura milenar se apoiando apenas em uma única teoria é um insulto a existência de todo um processo de criação que é muito mais rico que uma simples teoria retirada de um livro de biologia. 

O fato é que a HQ oriental (ou mangá) atinge o que resta de "humanidade" em cada um de nos simplesmente isso. 


Fim.

Beholder. Ricardo Haw.








 

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