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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Como fazer um Storyboard: Uma boa história e um traço... parte 2

Como fazer um Storyboard: Um boa história e um traço...




E ai galera tudo na paz?

Bora continuar os estudos da matéria passada? Aqui está o link dela > Como fazer um storyboard parte 1.


Bem pra quem não se relembra e tá com um pouco de preguiça de ler a matéria passada eu estava mostrando o processo de criação de um storyboard. Se você não ler a matéria passada vai ficar perdido no assunto dessa matéria.

Eu inventei uma historia de mais ou menos 18 paginas.

A historia era sobre um construtor de robôs que encontra uma androide no lixão.

Como eu disse antes o Storyboard serve para você andar rápido com as suas ideias portanto os desenhos não vão ficar aquela coisa maravilhosa, mas devem passar a ideia do que você vai desenhar.

Explicando melhor esse processo criação vamos pensar que a criação da historia anda numa velocidade muito mais rápida do que nosso processo de desenho, então o desenho atrasa o processo de criação. Ai que tudo começa a desandar, com um processo atrasando o outro o único destino desta historia toda a é a frustração.

A prioridade nessa parte é toda da criação, o desenho não pode passar na frente dela, o registro das iamgens e dos quadros deve ser feitos de maneira tosca e deixar a imaginação livre para pensar na continuidade da historia.

Como eu disse na matéria passada deixa a imaginação tão livre não é bom, por isso lembre-se de colocar um limites de paginas para deixar a sua historia mais atrativa.

Então vamos ao board do Construtor de Robôs.

Os dois personagens.





Aqui as quatro primeiras paginas, nessas eu apresento o construtor e o momento que ele encontra a androide no lixão. Perceba que o desenho é tosco e vai ficar pior, conforme sua imaginação vai trabalhando ela exige mais velocidade das suas mãos e como sabemos velocidade e qualidade não andam juntas.

-  Poxa Haw eu entendo a intensão, mas tá bem difícil de entender as cenas.
- Então nos temos um problema aqui que eu irei explicar em seguida minha amiga fã de Doramas.

Você pode trabalhar sozinho e entender o seu board sem nenhum problema, se você trabalha em conjunto é melhor caprichar mais no board. Um metodo legal é fazer todo o esboço como eu fiz acima e depois de pronto preparar um board que vai ser entregue a equipe, esse board contem mais informações e desenhos um pouco mais bem feitos, ainda não é o trabalho final mas vai facilitar a vida das outras pessoas envolvidas na criação.

Continuando.







Aqui nessas quatro paginas o construtor aparece resgatado a androide e reconstruindo ela. Veja que os desenhos viraram uns homens palito, a coisa vai piorando.





Nessas outras paginas o construtor consegue arrumar a androide e chama ela para ajudar na construção do robô gigante pra dominar a cidade vizinha, a continuação da cena é a rotina dos dois buscando materiais no lixão.





Nessas paginas a rotina dos dois continua, o construtor começa a envelhecer e por fim fica doente e a androide leva ele para o hospital.





Por fim o construtor morre, a androide fica sozinha e volta para o galpão, lá ela decide continuar construindo o robô gigante por conta própria. No fim ela faz o rosto do robô gigante semelhante ao do construtor e fica junto com ele na última pagina olhando para o lixão.

Fim.

- Eu não to chorando isso é suor meus olhos estão suando.
- Rela eu também to suando aqui  T_T.

Bobeiras a parte aqui a historia se encaixou no limite de  20 paginas que eu tinha estipulado e com aquela matemática da matéria passada  >

"Para isso podemos fazer uma equação simples definindo o numero de ações principais vezes o numero de folhas que você vai desenhar, se essas ações são complexas demais e precisam de uma subdivisão você pode trabalhar com plots e meta plots.

Plots são ações principais por exemplo ação 1, 4 e 7. Os meta plot seriam as ações entre as ações importantes1 2 3 4 5 6 os metas seriam as ações 2, 3, 5, e 6.

Aplicando isso em um roteiro simples seria assim.

1. Ele acorda atrasado.

2.  Sem tempo ele  se veste rápido  e sai do apartamento.
3.  Ele entra no elevador.

4 . No terceiro andar uma mulher entra no elevador junto com um cachorro.

5. Eles se cumprimentam.
6. Os dois descem do elevador e vão para o saguão do prédio.

7. O cachorro escapa e o homem tenta ajudar a mulher a pegar ele de volta.
Aqui de forma resumida podemos ver as 7 ações que ditam uma parte do que vai acontecer nesta historia. Cada ação pode levar algumas páginas, se por exemplo eu definir que cada plot e meta plot vai levar 3 folhas então eu terei 21 folhas para desenhar."

< Eu consegui encaixar cada ação da historia.

Com esse método de criação você vai conseguir fazer os storyboards de maneira mais fácil e sua historia vai fluir de maneira mais natural. Com isso você consegue marcar todas as ações da pagina, definir o tamanho e quantidade de quadros, a proporção dos personagens o posicionamento da câmera e etc.

Esse esquema não serve apenas para quadrinhos, mas também pode ser usado em animações e filmes, esse é apenas um plano do que você vai fazer o bom de tudo isso é que você pode ir fazendo as paginas com mais calma sem ter que ficar pensando na próxima cena deixando a cabeça mais livre para pensar nas técnicas que serão usadas para a arte. Esse é o método que todo quadrinista de boa qualidade usa para fazer seus trabalhos, a outra vantagem é que se você tiver uma equipe pequena você pode dividir as paginas para cada um desenhar transformando o trabalho em um esteira de montagem industrial.

Bem galera por enquanto é isso eu irei finalizar essa paginas e depois eu posto elas aqui. Eu vou fazer elas em arte tradicional pois to em paciência pra desenhar no digital -.-"

É isso espero que eu tenha ajudado vocês de alguma forma, se hover dúvidas manda um comentario ou me pergunta no twitter @hawsketch

Até mais ver bons estudos o/

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Como fazer um Storyboard: Uma boa história e um traço...

Uma boa história e um traço...

Na rabisqueira dos seus olhos mimimi la la la la.

 E ai galera como vão?

Fizeram muitas HQs esse ano? 

- Vish num fiz nada não.
- Relaxa meu amigo fã de Tengen Toppa Gurren Lagann.

Hoje vou falar sobre uma das partes mais importantes da criação de uma HQ (ou mangá mimimi) o STORYBOARD e mais alguns processos de criação.

HQs não são coisas fáceis de serem feitas, se houver uma falta de organização o processo fica mais complexo, portanto precisamos organizar bem nossos métodos de criação.

Um método muito usado é o storyboard essa técnica é um rascunho daquilo que será uma pagina da sua HQ e até mesmo a sua HQ inteira.

No Storyboard você deve se preocupar mais em passar toda a mensagem e informação do que vai acontecer na página ou até mesmo na HQ toda do que se preocupar com a estética do seu traço.

 No exemplo acima eu mostro a página da HQ Beholder, como podem ver tirando o primeiro quadro que já está em andamento os outros estão bem simples, a ideia aqui é que você deve olhar o que quer passar para o leitor, organizar cada ação dos personagens e o espaço entre os quadros e os balões de fala.

Essa página está sendo feita no digital, então da pra desenhar por cima do esboço sem problema, no caso do desenho tradicional você tem que trabalhar com uma folha a parte onde toda a rabisqueira será digerida antes de virar uma página finalizada.

- A Haw, mas isso gera retrabalho, sem falar que eu vou gastar uma folha a mais que nem vai ser publicada.
- Relaxa ai minha amiga fã de Love so Live.

Na época que guaraná ainda vinha com rolha eu também pensava dessa forma e evitava fazer os storyboard, e então aconteciam coisas bem chatas:

  1. As ações dos personagens não estavam bem explicadas e encaixadas com o contexto.
  2. Os desenhos ficavam bem piores, e muitas vezes erros com o traço acabavam em frustração.
  3. Eu não conseguia dar o espaço correto para os balões e muitas vezes acabava desenhando um espaço sem nescessidade.
  4. A pagina anterior não se encaixava com a próxima pagina.
  5. E o pior de tudo, acontecia tanta rabisqueira na folha que ela ficava com um estética terrível.

Entre outros problemas.

Se você percebeu um ou mais desses problemas no seu processo de criação então você deveria abandonar seu atual método de criação e adotar o storyboard.

- Ok eu entendi, realmente acontece muitos problemas quando eu vou fazer uma página, mas enfim como eu faço um storyboard Haw?
- Já vou explicar meu amigo fã de One-punch man.


 Processo de criação de uma HQ.

 Tudo nasce da ideia principal, essa ideia deve contar de uma forma resumida do que se trata sua historia.

Tente resumir toda a saga épica de seus personagens em 20 linhas, se isso for muito dificil tente seguir a quarta dica da Pixxar para criação de roteiros.

"4. Era uma vez um/uma________. Todo dia,__________. Um dia, então__________. Por causa disso, __________. Por causa disso__________. Até que finalmente_______."

Tentar resumir a sua historia é o primeiro passo para organizar todas as suas ideias, por vezes conhecemos muito bem a nossa historia, mas não sabemos contar ela isso é pela falta de organização das ideias.

Depois de conseguir fazer esse resumo o segundo passo é organizar as ações.

Toda a ação tem um começo meio e fim, e não está necessariamente nesta ordem quando se trata de uma historia, as vezes podemos começar a contar uma historia pelo fim, e mostrar para o leitor o que aconteceu até chegar naquele momento. A historia é sua e você pode contar ela de várias maneiras desde que ela não fique confusa para o leitor.

Definindo como você vai contar a historia o que resta fazer é dividir tudo isso em partes, essas partes podem ser capítulos, ações e etc. O importante aqui não é como você vai chamar essas partes, mas como vai dividir elas. Aqui é onde você pode começar a criar as suas páginas já colocando um limite de folhas, quadrinhos e falas para cada ação.

Essa organização ficaria assim.

Resumo.

Era uma vez um cara que queria construir um robô gigante. Todo o dia ele buscava peças em um lixão perto da casa dele. Um dia então ele encontra um corpo de uma mulher no lixão, mas depois ele percebe que esse corpo na verdade é um androide desativado. Por causa disso ele tenta consertar essa androide para ajudar ele a construir o robô gigante. Por conta disso ele acaba se dedicando mais a reconstrução dessa androide do que do robô gigante. Até que finalmente ele consegue reconstruir a androide e por fim ele fica velho demais para continuar a construir o robô gigante e tudo fica por conta da androide.

Separação das ações.

Apresentar o personagem principal e sua rotina.
Apresentar o lixão onde parte da historia acontece.
Apresentar a androide que faz parte do roteiro.
Mostrar o empenho do personagem principal na reconstrução da androide.
Mostrar a androide reconstruída e funcionando.
Chegar ao fim com a androide reconstruída e o personagem principal já idoso ao seu lado.

 Divisão de folhas, numero de folhas e detalhes.

Para cada separação das ações um total de 3 folhas.
Total  6 * 3 = 18 folga de 2 folhas limite de 20 folhas.

- Espera Haw, matemática? Serio que rola matemática nisso?
- Vou explicar para você minha amiga fã de Another.

A equação das HQs.

Um grande problema aparece quando não sabemos responder a questão: Quantas folhas ou paginas minha historia tem? 

Sem saber quantas paginas um capitulo ou a historia toda deve ter nos acabamos nos perdendo nos campos infinitos da imaginação.


Colocar um limite para a imaginação nos força a ser mais criativo buscando soluções mais agradáveis para o leitor ver, historias longas e desorganizadas não atraem leitores pelo contrario fazem eles fugir de você.

Para isso podemos fazer uma equação simples definindo o numero de ações principais vezes o numero de folhas que você vai desenhar, se essas ações são complexas demais e precisam de uma subdivisão você pode trabalhar com plots e meta plots.

Plots são ações principais por exemplo ação 1, 4 e 7. Os meta plot seriam as ações entre as ações importantes1 2 3 4 5 6 7 os metas seriam as ações 2, 3, 5, e 6.

Aplicando isso em um roteiro simples seria assim.

1. Ele acorda atrasado.

2.  Sem tempo ele  se veste rápido  e sai do apartamento.
3.  Ele entra no elevador.

4 . No terceiro andar uma mulher entra no elevador junto com um cachorro.

5. Eles se cumprimentam.
6. Os dois descem do elevador e vão para o saguão do prédio.

7. O cachorro escapa e o homem tenta ajudar a mulher a pegar ele de volta.
 
Aqui de forma resumida podemos ver as 7 ações que ditam uma parte do que vai acontecer nesta historia. Cada ação pode levar algumas páginas, se por exemplo eu definir que cada plot e meta plot vai levar 3 folhas então eu terei 21 folhas para desenhar.

Todos esses números são hipotéticos, quem deve organizar a sua historia é você mesmo, o numero de paginas de ações e etc., são suas. 

Voltando ao exemplo do construtor de robôs gigantes, ao definir 3 paginas por ação e sendo que eu tenho seis ações já podemos perceber que será uma historia bem curta com 18 paginas, eu coloquei duas paginas de folga para caso as ações ficarem muito limitadas.


Então vamos para as rabisqueiras.

A tosqueira do início.



Já temos o roteiro, já organizamos as ações e a quantidade de paginas, agora falta algo muito importante.

Os personagens.

- Ué mas, a gente não começa uma historia criando os personagens.
- Sim isso é verdade, só que ainda não desenhamos os personagens não é mesmo meu amigo fã de Azumanga.

Geralmente quem desenha quer primeiro fazer os personagens e depois as historias deles, normal isso eu também acabo fazendo muito esse tipo de processo.

Isso porque quando estamos desenhando nossa criatividade está a mil por hora e é uma consequência um desenho sem compromisso acabar virando uma personagem. Essa ordem de criar a historia primeiro ou os personagens primeiro não afeta muito a organização do roteiro, por exemplo, na historia da Beholder eu estava fazendo um desenho sem compromisso.

Era esse desenho na ocasião.

Gostei tanto do desenho que acabei criando uma historia para ela, a inspiração surge a qualquer momento e você não deve ficar travando ela.

Enfim vamos aos desenhos dos personagens do construtor de robôs.

Quando você for desenhar os personagens com uma historia já resumida e planejada fica mais fácil ver eles em sua mente, no caso eu imaginei os dois personagens da seguinte forma.

Eu imaginei o construtor com um óculos grande o cabelo desarrumado e usando roupas sociais com botas para, como ele vive procurando lixo para construir o robô eu pensei que ele poderia ser um pouco curvado e viver com uma mochila nas costas e uma caixa de ferramentas.



A androide eu imaginei bem esguia e mais alta do que o mecânico ela, pra facilitar minha vida deixei ela o mais simples possível para o desenho sair mais rápido.

Esses primeiros desenhos dos personagens não devem ser bem elaborados, o bacana nisso é a falta de comprometimento com alguma estética e o foco total na ideia final.

Depois de criar os personagens precisamos criar as paginas para isso é necessário pegar cada ação e transformar ela em um storyboard.

No as primeiras paginas seriam para:

Apresentar o personagem principal e sua rotina.

Tenho que lembra que coloquei 3 paginas para cada ação então o storyboard ficaria assim.



   
Essa rabisqueira toda são as 3 primeiras paginas cumprindo a missão de representar a primeira ação descrita no roteiro:

Apresentar o personagem principal e sua rotina. 

Na primeira pagina aparece o lixão, e algumas coisas voando, no ultimo quadro uma peça é recolhida, na segunda pagina aparece o personagem examinado e guardando a peça, depois temos um bom close do rosto dele, na última pagina temos o fim da rotina dele que é trazer as peças e continuar com o projeto de construção do robô.

Com esse tipo de técnica é possível dispensar o uso de balões, falas e narrações, apenas as imagens contam a historia toda.


E falando em falas narrações e textos enormes que tal deixar essa matéria com uma parte 2?

Então na próxima semana continuamos com o assunto de criação de storyboard o/

Até la galera e esperem pelo fim da historia do construtor de robôs.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Como estudar usando a releitura.

Como estudar usando releitura.

E outros assuntos.



E ai pessoas como vão tudo tranquilo?

Hoje vou falar sobre uma técnica de estudo que gera muita dúvida entre os desenhistas iniciantes e até mesmo os que já tem uma certa experiência.

Vou falar sobre a releitura. 

Uma definição informal sobre a releitura seria :

Releitura.

É uma nova interpretação de uma obra de arte, pintura,escultura, peça teatral, conto,etc feita com estilo próprio, mas sem fugir ao tema original da obra. 

Vamos falar um pouco sobre esse processo de estudo antes de começar a prática.

Podemos usar a releitura de algumas formas, uma seria no caso acima como uma interpretação pessoal da arte de terceiros, isso não é uma cópia ou alteração da arte original essa forma de arte é válida e não é nenhum tipo de transgressão.

O quadro da Mona Lisa é um dos que mais tem releituras no mundo.

- A então um fanart seria uma releitura?
- Sim isso mesmo meu amigo fã de Yuki Yuna Yuusha de Aru.

Em nosso meio chamamos a releitura de fanart. Mas como usar a releitura como um método de estudo?




Existem métodos bons, ruins e errados, eu vou falar primeiro da forma errada de se fazer releitura.

É errado:

Colocar o desenho embaixo da folha e traçar o desenho, o nome disso é tracing, além de ser uma forma errada de estudar é configurado como copia.

O mesmo serve para o desenho digital ao colocar um desenho ou foto em uma camada abaixo.

 Copia não é releitura, não é método de estudo copia é apenas copia nada mais.

Colocar o desenho ao lado e copiar exatamente a arte do autor também não deixa de ser uma copia.

Tem muita gente que é boa em copiar olhando o desenho dos outros.

Isso é errado você está fazendo o desenho de forma mecânica e automática e não está estudando está apenas enganando a si mesmo.

Outra forma errada é escolher um desenho aleatoriamente e não buscar as informações sobre o autor e tudo o que for de importante sobre o desenho.

Agora que você sabe o que é errado na hora de estudar não cometa esses erros, a não ser que você queria estagnar seus estudos e ser conhecido nos meios sociais como "o olho de xerox e o punho de copiadora"

- Então o que é certo nesse estudo Haw, pois pelo o que eu entendi eu estava fazendo tudo errado.
- Bem o primeiro passo você já deu minha amiga fã de Lodoss War, eu irei explicar a forma correta de aplicar esse estudo.





O primeiro passo é saber que seu estudo está errado e por isso ele não está rendendo resultados satisfatórios.

Eu deveria era vender esses métodos de estudos, mas enfim aqui você pode ter eles de graça só depende do seu esforço pessoal alcançar os resultados que você almeja.

A forma mais correta de estudar usando a releitura é antes de tudo ter um objetivo claro daquilo que você quer alcançar.

Por exemplo eu gosto muito dos artistas: Emperpep, Tony Taka, Meru Kishida, Osamu Tezuka, Ken Akamatsu, Salvador Dali, Manet, Monet, e entre outros.

Sabendo disso eu tinha o objetivo de extrair algo de cada um desses artistas para melhorar o meu traço.

Pensando dessa forma busquei a característica que me atraia em cada um deles e comecei a estudar esse ponto.

Dessa forma você não está apenas estudando a arte, mas também o artista descobrindo os processos de criação e de estudo de outra pessoa é uma carga de aprendizado muito maior do que sentar e copiar o desenho.

Sabendo do seu objetivo você deve começar a aplicar suas técnicas de estudo, ao pegar um desenho de seu artista favorito para fazer a releitura não basta apenas olhar e traçar, você tem que destrinchar o desenho todo.

Por exemplo.


 Atelier Totori, illustration by Meru Kishida.

 Essa ilustração é do mestre Meru Kishida ele influenciou muitos artistas como o desenhista de Another por exemplo.

Se a minha base de estudos for essa ilustração eu deveria proceder da seguinte forma.

Primeiro eu deveria levantar algumas questões sobre a arte.

  • Quem é o artista, como ele(a) estudou, quem ele(a) influenciou, quem influenciou ele(a), quais são as suas inspirações, onde ele(a) trabalhou e etc.

Quanto mais questões você levantar sobre o artista mais você vai melhorar seu traço, a resposta para essas questões vão te levar a uma técnica diferente, a um assunto que ainda não foi levantado e etc. Foi com essas questões que eu estudando o traço da CLAMP acabei descobrindo a grande influencia da art nouveau no traço delas.

  • Como ele desenhou isso, qual a sua técnica, qual a proporção usada, e etc.
 
Essa parte é menos teórica e mais prática, ao começar a estudar o traço do artista levante essas questões e fique ciente de que seu desenho não vai ficar igual ao dele, coloque em sua cabeça que se você está seguindo esse artista é porque ele tem uma carga de conhecimento  muito maior que a sua e você está apenas começando a seguir seus passos.

Com apenas esses dois pontos você pode dar uma melhorada em seus estudos.

Aqui vou colocar uma forma prática de estudo.

Vou fazer um estudo usando como base as artes da Kouchi Kaede.

- Han? Quem é essa?
- Boa meu amigo fã de Gyo, começou a estudar corretamente.

Kouchi Kaede é a autora de Love so Life, essa é a obra mais conhecida dela, mas ela fez muitas obras se está curioso(a) comece a estudar sobre a artista, lembra o que eu disse acima?

Love so Life By Kouchi Kaede.

Antes de mais nada tenha em mente que o estudo não deve ser apenas baseado em um desenho da artista e sim em toda a sua trajetória, depois de fazer essa escolha comece a estudar os pontos chaves do traço:

Proporção, anatomia, características  que você gosta e etc.

Eu fiz uma releitura da personagem principal a Shiharu Nakamura.




Ao estudar usando a releitura você pode seguir vários caminhos, no caso acima eu tentei buscar o traço mais parecido com o da autora, é claro que eu deixei algumas das características do meu traço, o importante é estudar os mínimos detalhes e guardar essas informações.

Desenha é um processo que tem vários passos, o estudo da releitura ajuda a parte de memorização entre outros pontos.

- Espera um pouco Haw, quer dizer que desenhar é copiar algo que está na nossa cabeça?
- Não é copiar algo que esta na nossa cabeça é se recordar e desenhar. Vou explicar melhor isso minha amiga fã da Taiga.

*****

O processo de desenhar.

Quando começamos a desenhar lá no jardim de infância tentamos desenhar as coisas que vemos no nosso dia a dia. A casa , a família e os bichos de estimação.

Não desenhamos nada muito fantástico pois não temos um grande conhecimento do mundo ao nosso redor, esse é um dos processos de criação que faz parte do ato de desenhar.

Segundo a teoria do Haw o processo de desenhar vem da seguinte forma.


  • Motivo.

Algo te motivou a desenhar, e isso vai levar você a estudar e trabalhar com desenho, esse motivo pode ser qualquer coisa.


  • Ideia.

A ideia vem depois do motivo ela é um guia pelo caminho do desenho, as vezes ela erra o traçado, mas sempre está ali te ajudando a conquistar seu motivo.


  • Técnica.
A técnica atropela um passo muito importante e acaba derrubando a cadeia acima, por falta de técnica a ideia não fica clara e se perde a motivação de continuar.


  • Perseverança.
Ok você não é do tipo que não desiste fácil, aceita que sua técnica é pífia e parte para melhorar, meus parabéns bem vindo ao mundo dos mais fortes.


  • Estudo.
Deveria vir antes da Técnica e da Perseverança, mas só começamos a estudar quando damos muitas cabeçadas e aceitamos que desenhamos mal e precisamos melhorar. A partir do estudo que você começa a entender o que é realmente o mundo dos desenhos e esse blog está para te ajudar com isso.


  • Prática. 
Por fim a prática, o ato de desenhar que carrega todos os pontos acima, dentro de cada ponto haverá um problema e uma solução. O importante é continuar e não parar pelo caminho.

Agora que você conhece esses pontos vou retomar dois deles e explicar como dentro da nossa cabeça o desenho aparece e depois passa para o papel.

Você quer desenhar e hoje acordou com a ideia de desenhar uma mosca, sim uma mosca, você já viu muitas moscas na sua vida portanto não há muito segredo, moscas tem asas, olhos compostos bem grande, seis patas, são nojentas e etc.

Todos esses detalhes você se recorda pois você está cansado de ver moscas voando por ai então é algo fácil de lembrar, sabendo como é o aspecto da mosca você junta sua técnica para desenhar ela, dependendo do seu nível de desenho essa mosca pode ficar mais simples ou mais elaborada, o que manda nesse momento é a quantidade de estudo, tempo, e dedicação que você vai disponibilizar para fazer o desenho.

Por exemplo.

Se sua técnica for baixa, provavelmente sua mosca vai ficar assim apenas com as partes mais importantes que você se recorda, o outros detalhes não vão aparecer não por falta de memoria mas por falta de estudo e de dedicação.

Conforme você for desenhando mais e mais moscas uma hora sua memoria vai se recordar dos mínimos detalhes e a sua técnica vai ficar tão aprimorada que a ideia que está na sua cabeça vai sair de forma mais natural.


Por fim em algum momento seu desenho vai melhorar se você souber os processos que sua mente trabalha.

Por isso a releitura é um estudo completo.

A releitura trabalha a sua técnica e aumenta a sua memoria, por isso faça muitas releituras e faça isso de forma correta como eu já disse lá começo.

Então por hoje é isso galera eu espero ter ajudado vocês.

Novidades vem ai fiquem na expectativa.

Até a próxima.

domingo, 10 de janeiro de 2016

A grande noia de todo dia desenhar P E R F E I T A M E N T E!


A grande noia de todo dia desenhar 

P E R F E I T A M E N T E!

Outras noias comuns entre os desenhistas.


E ai galera como estão?

Muitas promessas para esse ano? Eu espero que todos vocês consigam cumprir elas e todo aquele mimimi de ano novo que estamos acostumados.

MAS vamos para o papo que realmente interessa: Estudar desenho.

- AEW finalmente depois de tanto tempo vamos ter uma matéria sobre como desenhar. 
- Isso mesmo meu amigo fã de Barakamon.

Como sabem a internet está cheia de tutoriais, vídeos, aulas, cursos, charlatões, aproveitadores. E ultimamente eu percebi que não há uma necessidade de ficar postando aquelas matérias passo a passo, não que eu não vá mais postar esse tipo de matéria eu irei mas não com a mesma frequência de sempre.

Porém eu percebo que na maioria desses cursos, tutoriais e etc., não são apresentados os problemas do cotidiano de quem trabalha com desenho.

E hoje eu pensei em falar sobre a grande dor de cabeça que muitos desenhistas passam em seu começo de carreira.

A grande noia de todo dia desenhar P E R F E I T A M E N T E!

Todos queremos evoluir em nossos desenhos, não importa seu nível, mas há dias que você não consegue desenhar por mais que você tente desenhar uma linha reta ela fica torta, por mais que você procure  a anatomia correta no personagem a única coisa que você vê são erros e mais erros.
Isso acontece muito comigo.
-  Isso acontece com todos minha amiga fã de Monogatari series.


Vamos repetir a frase de sempre.

Não se preocupe com a perfeição - você nunca irá consegui-la.

Portanto o que fazer naqueles momentos em que não se consegue desenhar bem?

A primeira ideia é deixar de desenhar por aquele dia, mas isso é um erro.

Deixar de desenhar por um dia ruim nos estudos acaba virando uma bola de neve, você deixa de desenhar um dia, o próximo também não gera satisfação e então você larga o desenho e assim por diante.

Eu chamo esse efeito de " A espera de um milagre "



Você deixa de desenhar por um dia e acaba esperando seus dias bons retornarem, e eles não voltam. Quando você menos percebe já se passou um, dois, três meses e nada de desenhar, nada de se arriscar e nada de estudar, um dia ruim estagnou todo o progresso dos seus estudos.

A inspiração perde lugar para a piração e a noia entra em cena.

Nesse momento todas as coisas ruins acabam passando pela sua cabeça, você vê desenhistas trabalhando com traços cada vez mais arrojados, enquanto o seu está ali parado.

- Então o que eu devo fazer Haw?
- Simples meu amigo fã de Fate.

Continue desenhando.


Pense comigo.

Se todos dependerem da inspiração ou do momento bom para desenhar ou fazer qualquer coisa na vida o mundo todo estaria bem estagnado, deixar de depender da inspiração causa um efeito reverso muito curioso que eu chamo de pote de ideias. 

Quando estamos cansados de desenhar e tudo parece estar parado ao meu ver algo está te desafiando a dar um passo além. E então há duas escolhas:

1. Parar de desenhar. O que eu já disse que é errado.
2. Aceitar o desafio e partir para um novo campo de estudos.
Se você aceita esse desafio o melhor a se fazer é deixar de lado todo o seu paradigma e seus estudos que você fez até agora e se arriscar em algo totalmente novo, esqueça a anatomia, a proporção, as cores, tudo.

Entre em um outro campo novo de ideias e encontre um pote cheio de oportunidades que estão a sua frente. 

- Certo Haw, então eu aceito o desafio, você poderia explicar melhor sobre ele?
- Sim sem nenhum problema minha amiga fã de... er... deixa pra lá o.O.


O desafio de fugir da noia é simples, primeiro esqueça o que você já conhece como eu disse acima, e depois procure por algo novo que você nunca estudou e mude o seu método de estudo.

Por exemplo:

Você estudou tudo sobre o traço de um artista, neste momento esqueça a existência desse artista e busque por outros. 

Ao encontrar algum artista que você tenha interesse de estudar não busque entender o passo a passo de como ele fez o desenho ou a obra de arte, estude a historia desse artista, descubra onde ele vivia, com quem ele trabalhou e etc.

Fuja de todo o seu esquema de estudo.

Se seu esquema de estudo sempre foi: Escolher artista, estudar sua arte e fazer releituras fuja disso e busque outra forma de estudo.

Exemplo pessoal.

Alguns anos atrás eu estava estagnado com meu traço, foi quando decidi entrar no curso de belas artes, com isso consegui aprender mais técnicas e mais maneiras de fugir da falta de inspiração.

Outra coisa que me ajudou muito foi ter contato com outros artistas que não estudam mangá, conheci muitos cartunistas e desenhistas de historias infantis, todo esse contato abriu um leque de ideias.

- Mas onde entra os desenhos nessa historia Haw?
- Na rotina minha amiga fã de Orange.



Desenhar deve ser uma rotina, todos os dias você tem de desenhar ao menos por 15 minutos e ponto final. Não há desculpas para falta de tempo, todos nos temos tempo para desenhar!

A partir do momento que o desenho faz parte de sua rotina, você vai começar a se cobrar, não se preocupe se um dia o outro seu traço ficar bom ou ruim apenas desenhe.

Se acostumar com uma nova rotina não é fácil, por isso comece aos poucos sempre tenha os materiais por perto, compre um caderno de esboços e tenha o costume de carregar ele e lembre-se sempre, esse é um caderno de ESBOÇOS e não um ARTBOOK. Se cair café nele, se chover e ele ficar molhado, ou se o seu cachorro resolveu dar uma babada nele não se preocupe, esse caderno é apenas um escape para suas ideias.

Portanto esse caderno é pra ser rabiscado, rasurado, cortado e etc. (coitado desse caderno)

Está sem ideias do que desenhar?

Simples, pegue o lápis e rabisque qualquer coisa. A ideia vem conforme você for rabiscando, não se preocupe com estudos e outras coisas que podem te atrapalhar neste processo de criação. Fique livre para aceitar aquilo que sua mente quer expressar.


Fácil não é mesmo? 

A solução para o problema de falta de inspiração e da noia da perfeição é tão simples que parece ridícula. 

Agora vai lá e tente desenhar agora, use as dicas que eu coloquei aqui e me mande um comentário sobre a sua experiência, boa ou ruim não vai deixar de ser uma experiência para você, o que é errado é você não tentar fazer nada e ficar esperando um milagre do retorno da inspiração. 

Até mais galera o/

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Por que o "kawaii" é "kawaii'?

Por que o "kawaii" é "kawaii"?

E outros devaneios.




E ai galera como vão?

Antes de tudo se prepare para ler, essa matéria vai ficar muito extensa.

Estou tentando manter a frequência das postagens novamente, por vezes como antigamente não vou postar uma matéria apenas sobre técnicas e todo aquele mimimi de como desenhar mangá.

De verdade, matérias que tratam de um algum assunto e que não apresentam técnicas são as que tem menos visitas no blog, essas matérias deveriam ter mais importância do que as matérias sobre técnicas. Em tais matérias eu coloco uma opinião sobre a nona arte e elas servem para aumentar o seu nível de entendimento e de opnião sobre o assunto.

Hoje vai ser um dia desses, mas vou ajudá-los, eu irei postando aqui alguns esboços dos desenhos que estou fazendo, é só você acompanhar as imagens que você vai entender algo sobre desenho. A e não é nada super bem feito viu é só umas rabisqueiras sem compromisso.

Vamos começar nosso assunto.

Já faz um tempo que eu fiquei com um sentimento estranho ao ver uma matéria sobre desenhos fofos em uma palestra de animações deste ano de 2015.

Em resumo o palestrante (e posteriormente outros sites) buscou na biologia a explicação para todos acharem um desenho fofo.

- Ahn? Como assim Haw explica isso direito.
- Espera um pouco que em partes existem razões para o cara se basear nessa teoria meu amigo fã de Hibike Euphonium.

Tudo começa com um pouco de devaneio e alguns rabiscos.

A "teoria da salamandra."

Pegue a sua paciência e leia esses dois links, se houver mais interesse neste assunto procure mais informações.

Sobre a salamandra.


Sobre a relação do uso de neotenia nas ilustrações.


"A culpa toda é da salamandra Eurycea subfluvicola".

- QUE!!!????
- Já pedi calma meu amigo fã de One punch man.
 
Pra vocês entenderem, a palestra do cara que super se aprofundou em biologia tentando explicar o porquê de acharmos algo fofo ou não, ele se baseou nas características de uma salamandra que mesmo na fase adulta ainda mantém suas características de "criança" essa característica se chama neotenia. Com toda a certeza não partiu somente dele essa ideia do uso da neotenia nas ilustrações e ele deve ter se baseado em outros estudos sobre ilustrações.

Com essa teoria ele propôs que todos nos achamos algo fofo ou bonitinho pois tal coisa possui traço jovem ou infantil. Infelizmente ele ignorou toda a historia e a parte cultural que o assunto envolve. Talvez por falta de tempo, ou para causar a contradição, tornando a palestra dele totalmente válida e interessante para aqueles que se aprofundaram no assunto.

Afinal como Salvador Dalí disse.

"Você tem que criar a confusão sistematicamente, isso liberta a criatividade. Tudo o que é contraditório cria vida."

Salvador Dalí 

Em resumo, segundo o palestrante quanto mais características infantis tem seu personagem mais fofo ele vai parecer.

neotenia
  1. substantivo feminino
    bio
    pedomorfose produzida pelo retardamento do desenvolvimento somático, de maneira que a maturidade sexual é atingida em um organismo que retém características juvenis.


pedomorfose
  1. substantivo feminino
    (d1922) bio presença de caracteres primitivamente juvenis, larvais ou embrionários em um organismo adulto.
     
- ... serio isso Haw.
- Infelizmente sim meu amigo fã de Hanayamata.

 Mais rabiscos e mais pensamentos.
Um pouco de historia. 
Eu já tinha visto muitas teorias sobre o porquê dos desenhos japoneses serem mais fofos e causarem o efeito "ain que kawaii *-*". As maiorias e equivocadas explicações culminavam na neotenia;

 "Desenhos de personagens com traços jovens ou infantis causa um sentimento de carinho e proteção a qual todos os mamíferos estão ligados por conta da maioria dos filhotes de mamíferos usarem este recurso para prender atenção de seus pais afim de garantir a sua proteção e meio de sobrevivência.
Resumindo, achamos um desenho fofo pois ele desperta sentimentos de proteção e cuidado em nosso instinto, através de traços juvenis".

 Vamos ir um pouco mais a fundo nesse assunto ao invés de apenas se contentar com um pouco de biologia, necessidade primitiva e ciclo de vida das salamandras.

A base do mangá nasceu a muito tempo antes de todas essas teorias então há algo a mais a ser descoberto.

E ao invés de me basear em biologia, vou me basear na historia do Mangá e do Japão.

 O livro " O grande livro dos mangás" de autoria de Alfons Moliné lançado no Brasil pela JBC em 2004 tem um trecho que fala do inicio do mangá ou das historias em quadrinhos no Japão.

" Polêmicas à parte, as raízes dos quadrinhos japoneses podem ter aparecido a partir do século 11, quando uma primitiva manifestação de caricatura gráfica, os chojugiga (imagens humorísticas de animais), uma série de pergaminhos que representavam coelhos, rãs, macacos entre outros animais em cenas satíricas de autoria do sacerdote-artista Toba (1053-1140).

o nome do artista não foi divulgado pelo site.

Neste período ninguém pensava em biologia para explicar uma coisa ou outra vamos ser sinceros, esse período foi onde os primeiros registros de "historias em quadrinhos" começaram a ser produzidas no Japão como no trecho do livro acima. E também há um detalhe importante é a linha do tempo desse desenho para os desenhos modernos no Japão, afinal se nos basearmos na data de nascimento e falecimento do artista Toba estamos falando do ano 1140.

Muito tempo se passou e muitas coisas foram se modificando ao longo dos anos até chegarmos ao ponto sem retorno eu sei que muitos japoneses não gostam de tocar neste assunto, mas o fato que mudou o rumo das historias em quadrinhos no Japão com toda a certeza foi a derrota na segunda grande guerra mundial.

É claro que não posso deixar de dizer que o primeiro mangá de verdade foi feito pelo artista Rakuten Kitazawa isso falando de forma resumida sem contar todos os detalhes de sua historia e etc.
Também sem entrar em muitos detalhes sobre a Kodansha que em 1914 lançou várias vertentes de historias dedicadas a cada publico, se você está realmente interessado em tudo isso leia o livro "O grande livro dos mangás".

Mas mesmo observando o Mangá dessa época ainda não possuía o traço que "caracteriza" ele como hoje em dia. 

Voltando ao assunto da segunda grande guerra e citando outro trecho do livro;
 
 "Com o inicio da segunda guerra mundial, houve uma considerável redução da produção de mangás, causada pela restrição de papel , mas especificamente pela censura; quase todas as publicações foram destinadas à propaganda bélica, frequentemente mostrando os países inimigos no conflito sob um ponto de vista menos que satânico. Os trágicos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki culminaram em uma etapa obscura e iniciaram outra nova e esperançosa era na história do Japão, o período Heisen (1945 até hoje)*, e, com ela, um novo ciclo na historia dos mangás."

*Considerar a data de lançamento do livro me 2002

Vamos no popular.

Houve um período curto onde os artistas podiam publicar suas historias sem serem perturbados pela censura militar, depois houve um outro período onde a censura ditava o que deveria ser feito, e por último a derrota e os ataques nucleares.

Agora se coloque no lugar de um habitante que esteja vivendo todo esse rebuliço.

Não seria nada fácil viver em um momento pós guerra e pós tragédia como foi vivido pelos Japoneses, para as crianças com toda a certeza seria mais difícil ainda,se você fosse uma criança ou jovem vivendo em tal situação a sua última preocupação seria comprar um mangá na banca.

Ai que entra o grande mestre que eu sempre que posso falo o nome dele aqui no blog.

Lapidando e arrumando e ajeitando e andando.

Os olhos grandes.

 Após a guerra o Japão e outros países necessitavam de meios de entretenimento para esquecer os acontecimentos traumáticos. Mas deixando de lado um pouco os livros de historia e tentando entender o pensamento do publico alvo que encontraríamos durante essa época, estamos em um lugar onde as pessoas ainda estavam acostumadas com historias em quadrinhos ditadas pelo exercito, além disso muitas dessas pessoas estão mais preocupadas em conseguir o pão de cada dia do que ler alguma historia.

Uma situação realmente difícil para quem quer vender suas historias em quadrinhos não é mesmo? 

De um lado temos pessoas sem interesse em ler algo por conta da recente intervenção militar, de outro temos pessoas que estão preocupadas em conseguir sobreviver.

Só que nas situações difíceis que as pessoas que fazem a diferença acabam surgindo.

Osamu Tezuka (1928 -1989) com toda a certeza enxergou nessa dificuldade uma grande oportunidade e fez por onde conseguir reerguer o mangá e construir um grande marco nas historias em quadrinhos do mundo. Não é por menos que ele é considerado o pai do mangá e influenciou muitos outros artistas como Mauricio de Souza por exemplo.

A primeira coisa que ele deve ter pensado foi reformular as historias tornando elas atrativas para o público, e em outro ponto investiu em um formato mais barato de impressão e distribuição de seus trabalhos (os akabon no caso que surgiram em Osaka).

Não parou apenas ai, Tezuka-san buscou influências fora do Japão para fazer um traço diferenciado.

A princesa e o Caveleiro. Osamu Tezuka

Tezuka-san se inspirando em em muitos desenhos da Disney e do Estudio Flescher (criadora de gato Felix entre outros) desenhava seus personagens com os olhos grandes e brilhantes. Claro que não somente ele mas outros artistas o fizeram, criando uma estética para seus desenhos.

O motivo banal que vemos na explicação da "teoria da salamandra" citada pelo palestrante e por outros sites seria que: Olhos grandes são características físicas de jovens no caso bebês e por isso são usados para criar uma estética "bonitinha" nos personagens. Ora se isso for verdade tal teoria deveria ser aplicada também aos personagens na qual os artistas japoneses se inspiraram para criar esse novo estilo de traço.

Porém há outra e mais plausível explicação para isso.

Um trecho de outro livro tem uma boa explicação para isso.

"De fato, Luca Raffaelli, em seu livro  Le anime disegnate (p. 113), opina sobre esse motivo. " Através da representação dos olhos grandes (grandes espelhos da alma), os desenhistas japoneses querem comunicar seu desejo de se ver por dentro, de descobrir suas próprias verdades secretas".

Portanto diferente de ser apenas uma característica juventude os olhos grandes tem como objetivo principal transmitir as emoções do personagem.

Nessa parte vemos que por pouco o mangá não deixou de existir e que certas características não foram atribuídas ao traço com a intenção de tornar os personagens mais jovens e sim mais expressivos.

E já que estamos falando de emoções.

Um rabisco aqui uma pintura ali e vamos que vamos.

A linguagem icônica dos quadrinhos japoneses.

Os quadrinhos japoneses sempre tiveram personagens marcantes que usam uma linguagem diferente dos quadrinhos do resto do mundo: O exagero na representação de emoções e de ações.

Inuyasha. Rumiko Takahashi.

Como no exemplo acima quando uma personagem fica puta da vida com outro ao invés de ver apenas um desenho onde apenas um está bravo e outro desconfiado vemos um grande exagero na personagem brava fazendo ela ficar bem maior que o outro mostrando o seu nível de raiva em relação ao outro.

O emprego desse tipo de exagero nas emoções dos personagens tornaram os quadrinhos japoneses, o exagero na expressão não é apenas visto nas proporções dos olhos, mas em qualquer outro ponto do corpo dependendo da informação que o autor quer passar como no exemplo abaixo.

 Clannad. Kyoto Animation.

 O destaque nas lágrimas enormes acompanhado da expressão dos personagens nos passam a mensagem de imediato, não há nada a ser explicado na cena percebemos o momento com essas informações passadas pelo desenho. Esse exagero na cena é a linguagem das historias em quadrinhos japonesas. Mas não satisfeito eu vou dar mais exemplos.

One Punch Man. ONE

Aqui o exagero na cena é o vórtice de ar que foi deslocado com o golpe do personagem demonstrando a sua força. O impacto da cena dispensa palavras para expressar o que o autor gostaria de passar para o leitor.

Nichijou. Arawi Keiichi.

O exagero na expressão de surpresa da personagem é passado pela boca que sai do queixo e os olhos estatelados sem cor e vibrantes, sem falar das hachuras que fazem parecer o personagem tremer diante tal cena.

Não seria nenhuma surpresa usar essa linguagem também no desenvolvimento do traço dos personagens, por exemplo: Personagens que são poderosos geralmente tem músculos que saltam das sobrancelhas, personagens velhos sempre possuem algum tipo de exagero para demonstrar sua idade, não seria diferente com personagens mais jovens.

Posso ficar aqui o dia todo passando mais e mais exemplos pois, as historias em quadrinhos japonesas SÃO feitas destes exageros isso É a linguagem das HQs japonesas.
Mas e a teoria da salamandra onde se encaixa em tudo isso?

 E a rabisqueira continua.

E por que o uso do traço "kawaii"?


Sim há uma pequena verdade na "teoria da salamandra" muitos desenhistas usam características de juventude em seus personagens para deixá-los mais bonitos e "fofos" como crânios arredondados, mãos pequenas, nariz pequeno e etc.  A  Kyoani é a que mais usa essas características em seus personagens.

Mas essa explicação é simplória demais para ser aceita sem haver uma contestação.

Observando o esquema de trabalho frenético que é feito para se criar um mangá percebemos que os artistas tiveram que usar meios para aumentar a velocidade de produção dos desenhos sem que eles se tornassem algo pouco atrativo para o publico. A boca e o nariz simples não são apenas uma característica "neotenia" e sim uma saída estratégica para agilizar o andamento da produção do mangá. Novamente posso citar Osamu Tezuka como exemplo, seus personagens eram simples para que a produção das historias fossem feitas em grande escala.

Não somente isso, mas outros pontos foram sendo simplificados com o mesmo motivo, e em contrapartida outros pontos foram sendo exagerados.

E percebemos claramente que artistas que usam traços mais arrojados e complexos demoram muito mais para lançar um capitulo do que aquele que faz um traço simples. É a lógica entrando em jogo (-.-)"

Portando mais do que apenas um traço infantil, a saída para o traço "kawaii" foi uma jogada para aumentar a produção sem prejudicar a estética do mesmo.

O traço "kawaii" tem o objetivo claro de ser agradável e ao mesmo tempo rentável (lembra do que o Tezuka-san fez para reerguer os mangás, ele buscou outra forma de criar historias e uma outra maneira de distribui-las).

Mas, um traço fofo por si só não vai ser rentável (a não ser que você esteja trabalhando para fazer mascotes de grandes eventos ai é outra historia). O "kawaii" vai além do traço trazendo também uma história atrativa para aqueles que gostam desse tipo de tema.

As historias que contém um tema mais fofo ou "kawaii" geralmente são aventuras, dramas familiares, ou comédias, dificilmente você vai encontrar algo fora destes temas. E há um motivo para isso que iremos ver ao longo deste texto.

Por exemplo.

Jewelpet. Sanrio e Sega Sammy Holdings

Jewelpet (assim como todos os animes e mangás) foi criado para vender seus produtos, a desculpa para isso não se tornar uma propaganda lascada foi criar uma historia de mahou shoujo (garota mágica) com uma personagem que tem a idade do publico alvo dos produtos, é uma jogada de marketing? SIM É, mas é melhor do que aqueles comerciais babacas que vemos todos os dias na TV.

O outro apelo no caso é usar a identidade dos elementos "kawaii" na produção da animação, isso faz parte da Sanrio que cria vários produtos com esse tipo de tema.

A sim os personagens tem características de filhotes o que remete a "teoria da salamandra" só que isso não é um fator isolado... Existem N fatores a serem vistos para dizer o porquê disso.

E afinal o que é esse tal de Kawaii?


Duality. Ricardo Haw.

Kawaii ( 可愛いou mais comumente usado かわいい ) é uma palavra japonesa para definir algo como bonitinho, fofo, adorável e etc.

Houve um período no Japão onde aconteceu o "movimento Kawaii" que foi um movimento artístico que atingiu a moda, o entretenimento, a comida, o comportamento e outras mil vertentes. Esse movimento rejeitou o status quo propondo uma outra maneira de se ver e viver a vida.

Quando acontece um movimento artístico é natural que ele atinja muitas vertentes da sociedade, quem estuda historia da arte tem obrigação de saber do que eu estou falando.

O movimento Kawaii com toda a certeza valoriza as "características infantis" o que novamente caíra dentro da neotenia, o uso de roupas bonitinhas, a atitude inocente e outras coisas que poderiam remeter a atitudes "infantis". Isso pelo ponto de vista de uma pessoa ocidental.

O problema surge quando um ocidental tenta entender o que se passa no Japão e julga isso como algo que pertence ao publico infantil.

No Japão quando uma pessoa se torna adulta ela se vê cheia de responsabilidades presa a um papel social cheio de exigências. O movimento Kawaii surge para suavizar isso, apresentando uma vontade de criar uma sociedade mais amigável, indo contra os fatores que caracterizou o Japão do passado.

A sociedade japonesa tem consciência do cotidiano dos adultos japoneses que por muitas vezes é quase desumano, e consideram a infância um momento da vida absolutamente idealizado. Reviver estes momentos mesmo que por pouco tempo é um escape para a vida complicada dos adultos.

Chegamos a um ponto onde o "Kawaii" deixa de ter uma definição apenas de fofo e infantil, para ter uma segunda definição de "tomar um fôlego e seguir em frente". Neste momento há uma pergunta que deve ser feita:

O que realmente torna algo infantil? 

Já que em um certo momento um adulto adota uma atitude e um produto "infantil" isso ainda deve manter a classificação de infantil?

Isso é um conceito que vai gerar muito assunto pois se trata de um tabu.

Recomendo a leitura do site: chuvadenanquim.com.br otakismo o fenomeno kawaii por que o japao e o imperio da fofura
 

E também podemos abordar uma grande diferença entre a linguagem dos personagens ocidentais e os Japoneses.

Enquanto para os ocidentais animações e historias em quadrinhos para serem atrativas devem quebrar as leis da física e da mortalidade, no Japão as historias são atrativas pois os personagens destroem as leis da sociedade. 

Vamos falar sobre esse assunto um pouco mais com alguns exemplos.


E a rabisqueira continua, vamos ver o que vai virar até o fim dessa matéria.

Os heróis daqui e os heróis de lá.

A sociedade influência sim nas historias contadas pelos artistas, os ideais de vida de cada sociedade moldam as historias contadas em cada HQ, enquanto aqui no ocidente heróis são seres que podem voar, escalar prédios e defender os ideias de patriotismo e de liberdade, destruindo cidades inteiras. No Japão vemos personagens que tentam fugir a todo custo das regras da sociedade.
Capitão América. Marvel.

Nos quadrinhos Americanos vamos ver a estética da defesa de seus ideias de patriotismo e de liberdade pelos personagens extremamente fortes e em sua maioria imortais, essa linguagem passa a ideia da força inabalável de seus ideias pelos seus personagens que por mais problemas que surjam nunca se modificam e continuam seguindo o mesmo modo de vida e pensamento através do tempo.

Como eu disse cada sociedade afeta as historias contadas pelos seus artistas, vocês vão ver que na grande maioria das historias em quadrinhos ocidentais os personagens desafiam apenas as leis da física e da mortalidade e se mantém inabaláveis. Mesmo que haja uma pequena alteração no curso das historias de cada um eles sempre acabam retornando ao ponto inicial e refazem tudo de novo.


Sailor Moon. Naoko Takeuchi

Quando olhamos para o Japão vemos vários tipos de heróis e citar todos eles aqui seria uma missão impossível, por isso resolvi pegar apenas a Tsukino Usagi como exemplo.
 
A personagem principal de Sailor Moon vai contra todas as expectativas de uma heroína americana, ela não é forte, é preguiçosa, irresponsável e entre outras coisas. Lembrando o que eu disse anteriormente os personagens das HQs japonesas estão quebrando as leis da sociedade, no caso a irresponsabilidade, a preguiça e todas as outras características da Usagi fazem dela uma personagem que está indo contra tudo aquilo que uma mulher deve ser para sociedade japonesa.

É essa linguagem que falta ser analisada ao pensarmos no porquê o kawaii é kawaii.

Apesar de todos os defeitos que a Usagi possui ela conquistou os leitores por apresentar o que os leitores gostariam de ser. Como dito no trecho lá no começo deste texto: 
" Através da representação dos olhos grandes (grandes espelhos da alma), os desenhistas japoneses querem comunicar seu desejo de se ver por dentro, de descobrir suas próprias verdades secretas".

No caso essa VERDADE seria a fuga  das regras da sociedade.




Duality. Ricardo Haw.

 Devaneios.

Tentar explicar emoções é algo complexo, quando trabalhamos com esse tema não é correto buscar na razão um explicação para algo que te causa uma emoção, você sente e vive uma emoção e ponto final.

Sempre que alguém tentar buscar na razão a explicação para uma emoção ela vai cair em contradição, no caso dessa matéria muitos tentaram buscar na razão a explicação para a emoção "ain que kawaii *-*".

Por muitas vezes você vai se sentir atraído por uma historia ou outra pois, esta lhe causou um "feeling" e é difícil tentar encontrar palavras ou teorias corretas que vão explicar exatamente o porquê  você se sentiu atraído pela historia.

De um ponto de vista pessoal, acredito que os traços "fofos" não partem apenas das características físicas de um personagem ou de sua atitude "infantil" por muitas vezes vi outros personagens que não possuíam essas características e eram muito mais carismáticos que qualquer personagem com as características juvenis.

 Portanto, levantar teorias e explicações lógicas para algo que se trata de emoções é no mínimo contraditório.

A grande verdade que não é digerida pelos artistas ocidentais é que as HQs japonesas (e muitas outras orientais vindas da Coreia e da China) trataram da emoção de uma forma que nenhum ocidental nunca conseguiu imaginar e por conta disso se tornaram um grande sucesso no mundo todo. As historias e personagens de lá são mais carismáticos e humanos que os personagens criados aqui.

Ao analisar uma historia (no caso HQ) vinda de uma cultura milenar se apoiando apenas em uma única teoria é um insulto a existência de todo um processo de criação que é muito mais rico que uma simples teoria retirada de um livro de biologia. 

O fato é que a HQ oriental (ou mangá) atinge o que resta de "humanidade" em cada um de nos simplesmente isso. 


Fim.

Beholder. Ricardo Haw.